MÈRE ST. JEAN:
UMA MULHER EM LIDERANÇA |
Fevereiro 2010
Província Americana de Leste
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Kathleen Connell, RSCM |
Foi o Courrier de Béziers que primeiro deu a notícia ao público: “O marido da Mme. Cure acabou de falecer. Ele era um rico proprietário de terras e benfeitor do asilo conhecido como o Bom Pastor. Renunciando a todas as esperanças do mundo e dedicando toda a sua riqueza a esta obra, um dos estabelecimentos mais meritórios da nossa cidade, ela entrou na instituição e assumiu a sua administração.” (18 Março 1849)
Desde o início do Instituto do Sagrado Coração de Maria, os talentos de Appollonie para a liderança e administração foram reconhecidos. Ela era bem conhecida e respeitada tanto pelas autoridades cívicas como eclesiásticas do local. Já no passado, Appollonie e o seu marido tinham concordado dirigir as suas energias filantrópicas para o apoio à visão de Gailhac. No momento presente ela começou a usar, rapidamente, a sua herança em benefício das obras do Bom Pastor. No dia 15 de Fevereiro de 1849 ela teve a ideia de comprar a propriedade dos Jambon, uma parcela do terreno adjacente ao Refúgio do Bom Pastor. Neste terreno construíram-se a escola e internato com o seu pátio e também o noviciado.
Mais tarde, em Março de 1850, quando começou a sentir o ressentimento e a interferência da família Cure que queria uma porção da fortuna de Eugène, Appollonie, agora conhecida como Mère St. Jean, transferiu a administração da propriedade dos Cure em Autignac, de Martin Alphonse, um membro da família Cure, para Jean Gibbal, que naquele tempo ainda era um advogado em Béziers. Isto deu-lhe a possibilidade de vender a propriedade em Autignac e comprar um terreno no nome de Gailhac em Bayssan-le-Haut. Esta compra permitiu a abertura da Colónia Agrícola para rapazes órfãos, em 1853.
A Mère St. Jean trabalhou com Gailhac para obter o reconhecimento legal do Instituto o qual foi outorgado em Agosto de 1857. Esta foi uma acção sábia que provou ser muito útil. Esta acção deu ao Instituto o direito de possuir propriedades em seu próprio nome e, pelo Decreto Imperial, assinado pelo imperador em Junho de 1557, Gailhac e a Mère St. Jean ficaram legalmente capacitados de transferir para o Instituto de Sagrado Coração de Maria todas as propriedades anteriormente registadas em seus nomes, como também toda a herança em bens e imóveis que Mère St. Jean desejava deixar ao Instituto.
Foi a liderança da superior geral, as suas ligações com os lideres religiosos e autoridades municipais, e a confiança que tinha na visão de Gailhac que ajudaram o novo Instituto a sobreviver e crescer em Béziers. Aos poucos, nos primeiros meses de 1860, ela negociou com o Conselho Municipal para obter parcelas de terrenos contíguos que permitiria a construção dos muros ao redor da Casa Mãe, prevendo uma área para um parque aprazível, a construção duma extensão da casa para as meninas mais velhas da Preservação, e uma capela para estas meninas e para as Irmãs de Virgem.
A Casa Mãe foi fruto do engenho e da liderança de Mère St. Jean. Ela e Eugène tinham começado a aumentar o Refúgio do Bom Pastor durante os anos em que Gailhac visitava o casal na sua casa dos Allèes Paul Riquet. Em 1847, o casal Cure presenteou Gailhac com os planos e os recursos financeiros para construir a Capela Redonda. Quando, em 1849, o Refúgio do Bom Pastor se tornou o Convento do Sagrado Coração de Maria e Appollonie tomou o nome de Mère St. Jean e o titulo de superiora e fundadora, ela continuou “a benfeitoria do casal Cure” usando o dinheiro que ela herdou do marido com o fim de criar uma Casa Mãe para o Instituto e para as suas diversas obras. |
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Qualquer consideração de Mère St. Jean como mulher em LIDERANÇA deve levar em conta especialmente o seu papel de guia espiritual do novo Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria. Este dom não surgiu tão naturalmente como a sua liderança comercial, antecipando oportunidades para uma expansão material e desenvolvendo relações úteis com líderes cívicos e eclesiásticos. A sua liderança espiritual foi a graça que Deus lhe concedeu e também foi o fruto da sua busca sincera de virtude.
Podemos estudar o progresso espiritual da Mère St. Jean na sua correspondência com o Padre Gailhac durante os anos 1849-1851, especialmente durante o mês de Setembro de 1849, quando a sua correspondência assume a forma de direcção espiritual. Quando ela pede a Gailhac que lhe dê conselho espiritual, torna-se claro que Gailhac estava já preparando a Mère St. Jean não somente para a vida religiosa mas especialmente para a “sua vocação dentro da vocação”, o seu papel de liderança como superiora, madre e fundadora, e para a prática da virtude que a sua posição exigiria. O programa para a liderança espiritual da Mère St. Jean era claro: ela deveria tornar-se uma com Jesus Cristo e ser como Ele, mansa e humilde de coração, recebendo todas com a mesma bondade e igualdade de temperamento, e fazendo todo o possível para não deixar nenhuma pessoa ir embora a sofrer.
Por sua parte, Gailhac sempre a encorajava: “Ele é fiel, este Deus... Ó minha filha, exulte de esperança no meio do sofrimento. Deus escolheu-a como sua preferida, não lhe faltam os meios para a santidade. Ele mesmo será a sua luz, o seu guia, a sua força, e sempre a sua consolação… Tenha coragem e energia, minha filha.”
Cada vez que se lêem as cartas da fundadora para o Padre Gailhac, percebe-se o seu amadurecimento naquilo a que foi chamada a ser: superiora, mãe e fundadora. Ela reza com sinceridade a Jesus e à sua Mãe, pedindo as graças que precisa. Ela não desanima com as suas faltas, mas fica firme no desejo de agir segundo o ensinamento de Jesus, lembrando as suas palavras: “Eu estou no meio de vós como quem serve.” (Lucas 22:27)
Na primeira comunidade todas religiosas tinham um ministério importante no novo Instituto, todavia foi a Mère St. Jean que animou a comunidade e preservou a unidade. Mais tarde, ela serviu o Instituto através da sua doença e sofrimento, lembrando sempre o conselho do Gailhac: “Seja boa, pertença totalmente a Deus, ofereça o seu sofrimento a Deus para o bem das suas filhas. Uma superiora ajuda a sua comunidade tanto na saúde como na doença quando está unida a Jesus Cristo.”
O que é de notar na liderança espiritual da Mère St. Jean é a sua constante convicção de que Deus está sempre connosco. Esta convicção deu-lhe imensa coragem, suficiente para partilhar com outras em dificuldade. De acordo com a tradição, as últimas palavras que ela dirigiu a Gailhac evocavam a sua mensagem para ela nos primeiros dias do novo Instituto: “Tenha coragem! Deus está consigo e sabe como consolá-lo nos momentos de aflição. Sim, as nossas obras prosperarão!”
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| (Ver a Ladainha em Honra da Mère St. Jean) |
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